Uso de celular pelos jovens | Entrevista com Dr. Odair Comin

Entrevista sobre o uso de celulares por jovens com *Dr. Odair J. Comin concedida à Jornal Santuário de Aparecida para a jornalista Leonardo Meira.

1 – Em 2011, o Brasil teve mais de 240 milhões de acessos na telefonia móvel, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Uma boa fatia desse número deve-se à comunicação entre os jovens. Quais são as principais motivações que levam o jovem a valorizar tanto assim o mundo e as plataformas mobile? É apenas uma consequência do avanço tecnológico ou há questões simbólicas, de relações de poder, envolvidas neste contexto?

OJC: Todos estamos sujeitos às consequências das novas tecnologias. Contudo, especialmente os jovens aderem com mais facilidades às novidades e modismos. Isso motivado por vezes, pelo fato do jovem preocupar-se demasiado com o pensamento alheio e o desejo de pertencimento ao grupo. É o grupo que dita as regras, e se os amigos fazem ele quer fazer também. O diferente é considerado estranho, é motivo de comentários maldosos e mesmo bullying. Portanto, ele quer ser igual. Por isso adere facilmente, e com isso sente-se poderoso, vendo-se no topo.

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2 – De que forma o uso excessivo dessa tecnologia pode ser prejudicial à saúde, especialmente nessa fase da vida?

OJC: Inicialmente o jovem adere à tecnologia para pertencer, ser reconhecido como semelhante. Com o tempo, não é só ao grupo que ele pertence, mas também torna-se escravo de seu “passaporte” ao grupo. As tecnologias são viciantes, e os jovens não são reconhecidos pela prudência. Os limites não são identificados e respeitados, desta forma pode sim trazer danos à saúde.

3 – Como o comportamento do jovem pode ser afetado pelo uso desregrado do celular, de modo particular no que diz respeito às realidades da família e da escola?

OJC: Pode até parecer um paradoxo, mas também traz danos às próprias relações. Pois se estabelece demasiada relação mais com máquinas e menos com o humano presencial. A máquina faz o papel de um intermediário, e isso por mais que dê a impressão de facilitador, aproximador, distancia da vivencia de estar face a face com o outro. E isso é um prejuízo ao desenvolvimento humano, que talvez ainda não possamos medir.

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4 – Como é possível ajudar o jovem a encontrar o ponto de equilíbrio?

OJC: Tanto o celular quanto os demais aparelhos tecnológicos nos facilitam em muito a vida, pessoal e profissional. Mas em doses demasiadas, o bom se torna nocivo. Em tal realidade, o equilíbrio está em o jovem ter o controle de quando quer usar e quando quer ser “encontrado”, e não dar esse poder ao outro. Se não o fizer, é o outro que o encontra e por isso controla. O equilíbrio está na possibilidade de escolher, de decidir quando e como quer usar a tecnologia e quando ficará “fora do ar”, para se conectar ao real, à natureza, às pessoas.

5 – Há quem não consiga se separar do celular nem por um segundo. Quais são os sinais que mostram que o quadro já á patológico e é preciso recorrer à ajuda de um profissional?

OJC: Quando isso acontece, essa abstinência, os sinais são perceptíveis. Impaciência, desespero, ansiedade, falta de atenção no presente. Ou seja, o jovem se conecta com a falta e não com a presença. Pensa no que está perdendo, pensa que está fora do mundo, desatualizado. Como se seu viver perdesse o sentido, pois sua relação com o que existe, faz-se por meio do celular. Quando se chega a tal estado, o ideal é buscar ajuda profissional.

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6 – Como evidenciar a necessidade de se ter cuidados com práticas potencialmente perigosas, como o sexting, por exemplo?

OJC: O erotismo está em todo lugar, internet, celular e demais mídias a exploram demasiado vendendo a ideia de normalidade. E como somos ávidos compradores, adquirimos tal ideia e a espalhamos, tendo-a como nova tendência e verdade. Como podemos notar, no jovem o hábito facilmente torna-se um vício. E o que começa com mensagens despretensiosas, engraçadas, logo torna-se bullying, erotismo, pornografia. O tempo todo vemos profissionais abordando sobre o Facebook, por exemplo, e os perigos do quanto e como compartilhamos nossa intimidade.

O ideal é que, em práticas como essa de trocas de mensagens e fotos, seguíssemos preceitos que levem em consideração o bem. O bem de si e o bem do outro. E tudo o que não vise o bem das duas partes, deve ser evitado. E a velha advertência aqui também vale, “não faça com o outro o que não queres que façam contigo”. As vezes o mal, só será mal como consequência e não como ato. Mas o jovem precisa estar atento às práticas de respeito a si mesmo e ao outro.

*Odair J. Comin
Psicólogo Clínico, Especialista em
Hipnoterapia e Escritor.

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