Relação entre irmão | Entrevista com Dr. Odair Comin

Entrevista sobre a relação entre irmãos com o *Dr. Odair J. Comin concedida ao Portal Area H para o jornalista Danilo Barba.

1 – Em geral, qual a origem da rivalidade entre irmãos ao longo da vida?

OJC: Normalmente o início vem pelo ciúme. Para o mais velho, aquele que chega vem para destroná-lo. Tirá-lo de seu posto, de sua zona de conforto. O vê como um rival, e não como um processo natural de se adequar ao novo layout. Muito desse processo está ligado na forma como os pais fazem a transição. A forma de abordam o assunto ciúme, em explicar a situação nova, em como inserem os irmãos em cada momento. Simplesmente deixar que o tempo ou a vida se encarregue de resolver, não é uma atitude saudável. E se isso não é resolvido na infância pode se entender pela fase adulta e por vezes se agravar. Com o ciúme pode vir inveja, a vontade de vingar-se, a raiva ou mesmo ódio entre os irmãos.

2 – Como lidar com brigas familiares que duram anos e anos?

OJC: Quando o ódio ocupa o lugar do amor, a saída está na razão. A razão é que pode orquestrar um entendimento, um consenso, uma clareza do que acontece. A razão possibilita o perdão, aplaca emoções que causam mal estar e as substitui por novas emoções, agora saudáveis. A família ou as pessoas envolvida precisam desnudar-se de seus egos, de seu egoísmo e poder olhar além de si mesmos. Precisam aprender a conviver, abrir mão. Conectar-se com o presente, e deixar de ser fiel ao passado. Este que machucou, que fez mal. É preciso absolver-se mutuamente, libertar-se do que foi e conectar-se com o que é. Construir uma relação a partir desse novo entendimento, desta nova forma de se relacionar.

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3 – Ceder é sempre o caminho?

OJC: Ceder é um dos caminhos, assim como manter a posição. É mais uma questão de buscar um meio-termo, com bom senso e inteligência. A verdade é que ambos estão no mesmo barco e a briga normalmente fará mal aos envolvidos. Na medida em que se colocam as percepções de cada um na mesa, é que será possível verificar onde cada um poderá ceder e onde manterá sua posição atual.

4 – Quais são os verdadeiros motivos que nos levam a interromper uma relação tão próxima na vida adulta?

OJC: Isso é bastante relativo, e dependerá de cada caso em especial. Mas, via de regra o orgulho e o ego são os principais motivadores. Cada um possui suas própria concepções a respeito do outro e não abre mão. Pois fazer isso pode significar sinal de fraqueza. Um acredita que o outro é que deveria tomar a iniciativa, porque acha que o erro foi o outro. Esse tipo de impasse pode se perpetuar por anos.

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5 – Como lidar com familiares que tentam se aproveitar da condição fraternal para obter vantagens?

OJC: Toda vez que alguém tenta tirar proveito de situações, seja por amor ou por fraqueza, será condenável. Primeiro é preciso identificar que isso acontece e mesmo aceitar que é possível. Isso porque, relutamos em acreditar que nosso filho, nosso irmão, pai ou mãe seriam capazes de tal comportamento conosco. Sim, eles podem e fazem e em minha prática clínica percebo que é mais comum do que se imagina. Ao identificar, por vezes é preciso traçar estratégias e enxergar o familiar como ele realmente é, e aprender a lidar com essa situação. A estratégia serve para decidir como irá se defender, e isso requer coragem para dizer não, para impor limites. E deve fazer isso sem medo de retaliações, ou medo de perder. No âmbito geral, é provável que ele precisa mais de você do que o contrário, e mesmo que ele se afaste, será por um tempo breve. Espere e ele voltará, e a partir daí poderão ter uma relação em um novo nível, onde você será respeitado e valorizado.

6 – Como a figura do irmão é vista pela sociedade atualmente?
OJC: A sociedade reflete os conceitos familiar, normalmente ligados a conceitos religiosos e mesmo filosóficos. Existe uma hierarquia pré-estabelecida de que o Irmão mais velho deve ser responsável pelo mais novo. Isso é o que se convenciona a pensar e de certa forma é um bom conceito. Mas é claro que nem sempre é o que se vê. Por vezes vemos irmãos mais novos sofrendo bullying, sendo ameaçados de diferentes forma e até abusados. Contudo, salvo exceções irmão é sinônimo de responsabilidade, um cuidando do outro, sendo parceiros, se respeitando, se valorizando, se amando.

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7 – Os pais devem interferir sempre? Mesmo na fase adulta?

OJC: Família por definição é uma instituição de intersecções. É um kibutz, é um espaço público, comunitário. Onde todos usam e os limites são uma incógnita. Palavras como invasão e meu, estão fora do vocabulário familiar. Sendo assim, família e interferência, é redundância. A mesmo tempo, o ideal é que se faça isso de forma racional, observando cada situação, cada momento. Pais são uma instituição eterna, e não devem se abster desse lugar. Sempre serão importantes, e podem sim participar da vida dos filhos na medida do possível.

8 – Quais fatores costumam gerar competição entre irmãos homens?

OJC: Dos mais primários possíveis como a atenção dos pais, se um acha que é preterido em relação ao outro. Se um tem mais regalias que o outro, como os pais pagarem faculdade ou comprar um carro ou apartamento para um e não para o outro. Comparações como, seu irmão é mais inteligente, mais esforçado, mais bonito. Também evoluções pessoais tais como, conseguir um emprego melhor, comprar um carro ou casa melhor. De forma geral, tudo o que a sociedade vê como parte integrante do papel do homem e como conquista de forma geral. Se um irmão consegue e o outro não, terá conflito e competição.

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9 – A predominância de disputas e brigas é mais provável entre irmãos do sexo masculino do que o feminino?

OJC: De forma gerar as mulheres são mais competitivas entre elas, seja no mercado de trabalho ou numa festa. Contudo, no ambiente familiar e isso por ser algo cultural, a disputa maior é entre os irmãos homens. Porque do homem a cobrança é sempre maior, ele tem que ser capaz de tornar-se o provedor. Entrar numa boa faculdade, ter uma carreira promissora, se destacar, ter um bom salário. Não que a mulher não seja instigada a isso, e também queira tais conquistas, mas o peso para o homem é bastante maior. Para a mulher é uma questão de realização pessoal, superação. Já para o homem é uma questão de honra, hombridade, capacidade de manter uma família. A cobrança e a pressão são maiores.

10 – Quais dicas você daria para equilibrar o relacionamento entre eles?

OJC: – Relaxem, cada um precisa focar em suas próprias forças e objetivos e buscar seu espaço, seu destaque, independente do outro.

  • Aprenda a enxergar o irmão como um aliado e não como rival, o que tornará a relação mais saudável.
  • Se você se achar injustiçado, converse diretamente com os envolvidos, fazer intrigas, ou buscar aliados em outros familiares não é a melhor saída.
  • Não tente atestar suas forças nas fraquezas do outro, isso é crueldade, covardia.
  • Use o seu tempo para construir seu castelo, e não para destruir o do outro.
  • De oportunidade para o amor fraternal ocupar espaço e te guiar. Você verá que viver assim é muito mais fácil e prazeroso.

*Dr. Odair J. Comin
Psicólogo Clínico, Especialista em
Hipnoterapia e Escritor.

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