Emoções Humanas | Entrevista com Dr. Odair Comin

Entrevista com *Dr. Odair J. Comin sobre Emoções Humanas, concedida à Revista Coop para a jornalista Ivanilde Sitta.

1) – Vejamos o seguinte: Nível glicêmico elevado resulta em diabetes. Nível glicêmico baixo, hipoglicemia. Assim como nosso organismo necessita de um equilíbrio das substâncias para ser saudável, nossa saúde mental também exige um equilíbrio das emoções, certo? Dentro dessa linha de raciocínio gostaria de abordar os prós e os contras de nossas emoções, mostrando que a receita do sucesso está no equilíbrio. Portanto, daria para o Sr. abordar sobre o lado positivo e negativo da raiva, da ansiedade, do sentimento de culpa, do ciúmes, do otimismo, da tristeza e do medo? Seria mais ou menos nessa linha: o sentimento de culpa, por exemplo, apesar de danoso em excesso, é fundamental para não sairmos por aí atirando em todo mundo. Da mesma forma o medo. Em demasia, emperra a vida de qualquer um. Mas se não tivermos medo, nos arriscaríamos em tudo, sem medir as consequências?

OJC: R. Não há dúvida que deve haver uma congruência e um equilíbrio entre nossas emoções. Não têm como abolirmos nossas emoções ou paixões, elas fazem parte do ser humano e nos beneficiam muito. O medo, por exemplo, em muitas situações pode ser saudável, sendo um dos responsáveis pela preservação de nossa espécie, nos protegendo de muitas situações perigosas. Ao mesmo tempo, o medo pode virar fobia, ou um medo irracional, o que nos paralisa e nos impede o movimento.
As emoções são uma força, algo que nos põe em movimento, e será a razão que determinará para que fim será usada tal força; para o bem ou para o mal, positiva ou negativamente. O ser humano é racional, portanto, pode utilizar-se de seu raciocínio e bom senso nas diferentes situações em que as emoções se manifestaram, e podem assim fazer a melhor escolha. Só a razão nos dá escolha, ao passo que a paixão nos domina e nos leva a bel prazer se a razão não interferir.

Tanto as perguntas, quantos as respostas estão dentro de nós, da mesma forma a saúde e a doença, a dor e o prazer, o remédio e o veneno, o medo e a coragem. Tudo o que é criado dentro de nós pode ser destruído por nós mesmos; possuímos os recursos necessários, podemos produzir os vícios e também as virtudes, se podemos desviar do reto caminho, podemos caminhar no mais certo, portanto o equilíbrio é possível e para isso basta olharmos dentro de nós mesmos. A ansiedade faz parte do ser humano, pois não sabemos como exatamente será o futuro. Em certos níveis a ansiedade é normal. Apenas quando seu grau é elevado trazendo sofrimento ao indivíduo, aí sim se torna um problema e precisa de solução.

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O ciúme traduz em insegurança, em medo. Insegurança seus reais valores, sua confiança em si mesma, sua capacidade de ser boa o suficiente, de achar-se proprietário do outro, um amor que aprisiona. Muitas vezes possui auto estima baixa, e tudo isso gera medo, medo de perder o ser amado. O ciúme gera sofrimento e isso não é bom, nem para o que sente, nem para o outro, pois se sente cercado e amputado em sua liberdade ou mesmo, não percebendo no outro um porto seguro. Esse sentimento pode ser trabalhado dentro do indivíduo para que tenha segurança em relação ao que sente, e possa modificar essa emoção. É possível demonstrar preocupação com o bem estar do outro, entretanto em níveis que não lhe tragam desprazer.

No caso de sentimento de culpa, este vem muito mais da herança católica sobre pecado. O sentimento de culpa em si não é bom, pois se há esse sentimento é porque o erro já foi cometido. Deve-se então, evita-lo com a prática de virtudes, e ser ético em nossas ações; a ação ética visa o bem de si e do outro e quando agimos assim, não temos porque nos sentirmos culpados. Ao mesmo tempo, numa sociedade que prima pela punição e não pela educação, sim o sentimento de culpa é um paliativo. Numa sociedade que aliena, que domina pelo medo, que impõe condições subumanas, pobreza e violência gratuita, sim o sentimento de culpa é um paliativo.

2) Por que o equilíbrio das emoções é fundamental e como chegar a isso?

OJC: R. O equilíbrio é necessário pelo fato de que os extremos, tanto por falta, quanto por excesso nos fazem mal. Tanto a covardia quanto o medo demasiado são vícios, a virtude está na coragem, em uma coragem equilibrada. Os excessos podem nos trazer dor, nos geram sofrimento. O equilíbrio das emoções é alcançada pela razão, e é isso que nos diferencia dos demais seres.
Somos racionais e por isso não precisamos agir apenas por instinto, apenas por paixão. Podemos ponderar, analisar, ver sob diferentes ângulos, perspectivas. Poder raciocinar sobre as circunstâncias onde nos encontramos, qual é o ambiente. A razão nos dá alternativas, nos dá escolha, e quando podemos escolher, nos sentimos livres, nos sentimos à vontade e podemos sempre fazer a melhor opção, e é isso o que nos traz o equilíbrio.

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3) – Por que é tão difícil alcançar esse padrão de equilíbrio?

OJC: R. Fazer a coisa certa é difícil, fácil é fazer a coisa errada. Só há um jeito de acertar o alvo, todo o resto é acertar fora dele, por isso é difícil acertar. A virtude, que para Aristóteles só se consegue com equilíbrio, requer esforço, requer ação, movimento, requer prática. É por isso que as pessoas acabam por não ter o equilíbrio tão almejado, por não se esforçarem, por não porem em prática muitas das coisas que conhecem, por medo ou acomodação não as vivenciam. Só se é corajoso, praticando atos corajosos; só se faz justiça, praticando atos justos; só se conquista o equilíbrio trilhando o caminho do meio, praticando e educando suas próprias emoções por meio da vivência e da razão.

4) – Hoje está mais do que provado que sentimentos negativos abalam nossa saúde física, enquanto os sentimentos positivos são um verdadeiro elixir da saúde. Daria para o Sr. dar alguns exemplos da relação de algumas doenças com certos sentimentos e emoções? Por exemplo, casos de câncer ligados a pessoas que tem alto grau de ressentimentos. O inverso também seria interessante abordar, como pessoas otimistas, geralmente tem um sistema imunológico mais potente e, portanto, menos sujeitas a certos distúrbios.

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OJC: R. Cada indivíduo é um ser único com interações internas singulares. A forma como cada um pensa sobre si mesmo terá um impacto, tanto como positiva como negativamente. A somatização ou mesmo a dor, é um aviso de que a forma que o indivíduo está levando sua vida ou a maneira que pensa ela, não está sendo muito interessante para sua condição de ser humano. Aquele que pensa bem, geralmente age e vive bem, e isso de forma geral e como um todo, tanto numa alimentação saudável, quanto na diversão, no trabalho, no descanso. O contrário também pode ser verdadeiro, pensar, agir e viver mal, por certo trarão impactos negativos. Estes podem ser doenças, mal estar ou algum tipo de sofrimento.
Não há uma causa específica para uma causa específica, por exemplo, nervosismo é igual a gastrite nervosa; raiva é igual a câncer; sobrecarga é igual a síndrome do pânico. Tudo é muito relativo e deve se observar o indivíduo como um todo. Todavia, fica bastante claro que aquele que busca e pratica o bem viver esteja mais próximo dele, do que o outro que por diferentes motivos perde o gosto pela vida ou vive nos extremos, ou nos excessos ou nas faltas. Emoções o tempo todo no extremo, se tornam armas ou vírus destruidores para quem a sente.

*Odair J. Comin
Psicólogo Clínico, Especialista em
Hipnoterapia e Escritor.

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